A parábola dos talentos (Lc 19,12-29 e disponível nos comentários) tem-me vindo ultimamente à memória, como que em pequenos flashes. Hoje decidi lê-la e perceber a razão pela qual ela me estará a procurar... Parei no versículo 18: acho muitas vezes que os meus talentos são poucos, especialmente quando inevitavelmente olho para os outros "servos"; mas sejam poucos ou muitos escondo-os muitas vezes na terra.
Lendo o versículo 25 sorri ao ver a justificação - "com medo"... e lá vem este outra vez a condicionar a vida, pior, a toldá-la: medo, medo, medo...
De facto, pouca diferença faz ter um ou mais talentos se, no final, o medo condiciona a nossa vida e até nos consegue vencer.

4 comentários:
Parábola dos talentos (Lc 19,12-29)
14«Será também como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens. 15 A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada qual conforme a sua capacidade; e depois partiu.
16 Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco. 17 Da mesma forma, aquele que recebeu dois ganhou outros dois. 18 Mas aquele que apenas recebeu um foi fazer um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
19 Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. 20 Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: 'Senhor, confiaste-me cinco talentos; aqui estão outros cinco que eu ganhei.' 21 O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.' 22 Veio, em seguida, o que tinha recebido dois talentos: 'Senhor, disse ele, confiaste-me dois talentos; aqui estão outros dois que eu ganhei.' 23 O senhor disse-lhe: 'Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor.' 24 Veio, finalmente, o que tinha recebido um só talento: 'Senhor, disse ele, sempre te conheci como homem duro, que ceifas onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste. 25 Por isso, com medo, fui esconder o teu talento na terra. Aqui está o que te pertence.' 26 O senhor respondeu-lhe: 'Servo mau e preguiçoso! Sabias que eu ceifo onde não semeei e recolho onde não espalhei. 27 Pois bem, devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros e, no meu regresso, teria levantado o meu dinheiro com juros.' 28'Tirai-lhe, pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos. 29*Porque ao que tem será dado e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.
"No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!"
Jo 16, 33
pois é.
e estás com "sorte", porque se tivesses colocado aqui a passagem segundo Mateus (25,14-30)acabaria com: 28"Tirai-lhe pois, o talento, e dai-o ao que tem dez talentos.Porque ao que tem dar-se-á e terá em abundância; mas ao que não tem, ser-lhe-á tirado até mesmo o que tem. A esse servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes".
Mateus acaba com uma grande dureza. acho que demorei muito anos a perspectivar este fim de um outro prisma, que pouco tem a ver com o castigo e com a desgraça, pelo menos a exterior.
quanto à "quantidade", olhar para o lado é sempre um grande risco. há sempre alguém que provoca ou promove a ilusão de estarmos muito à frente, ou irremediavelmente atrás. nenhuma das duas corresponde ao que somos.
e depois, mais que ter, o importante é o que se faz com o que se tem!
estás a caminho.
Querida Wass,
Pois eu pus o que quir pôr do Evangelho de S. Lucas :)
Estou inteiramente de acordo com o que dizes acerca do "olhar para o lado" mas sabes que às vezes o olhar é atrevido e escapa-nos do controlo... E sim, terminas com o essencial disto tudo: pouco ou muito, " o que importa é o que fazemos com o que temos".
Um beijinho.
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